PERDIDO EM MARTE, DE RIDLEY SCOTT

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Um dos mais aclamados diretores vivos, já faz algum tempo que Ridley Scott não consegue conciliar sua excelência formal com um conteúdo digno de nota. O último sopro de bom cinema foi com “O gângster”, em 2007. Cinco filmes esquecíveis depois, apostava-se que “Perdido em Marte”, baseado em livro de mesmo nome do autor Andy Weir, seria seu retorno à boa forma. Não é.

O filme conta a história do biólogo Mark Watney (Matt Damon), dado como morto por seus colegas de missão e deixado sozinho em Marte depois de uma tempestade que devastou a base em que eles estavam. Segue então a luta do astronauta tanto para fazer contato com a distante Terra quanto para sobreviver em um ambiente absolutamente hostil.

Convenhamos, Scott já parte de uma premissa muito batida -o herói abandonado que luta com todas as garras para sobreviver. O mínimo que se espera é que trouxesse algum novo viés. Mas isso não acontece. O filme se desenvolve com uma fórmula constante que pode ser resumida da seguinte maneira: problema – solução – problema. É muito pouco para sustentar mais de duas horas de exibição de algo que, no fim, parece mais um apanhadão de sketches científicos.

A situação fica ainda pior por causa de seu personagem principal. Não há conflito em Watney. Não há motivo, não há história -o mais perto disso é uma referência muito sutil aos pais do astronauta-, não há nada. E, ainda por cima, o biólogo encara tudo com uma leveza que só ressalta a sensação de que estamos diante de um programa do Discovery Channel.

Para não dizer que é tudo ruim, “Perdido em Marte”acerta no alvo ao mostrar como, mais do que um empreendimento de poucas cabeças privilegiadas, a ciência é uma aventura construída em colaboração por muitos. Além disso, para variar, Scott constrói uma obra que é no mínimo deslumbrante em termos visuais. Mas é muito pouco para quem já fez também desbundes como “Alien” e “Blade Runner”, que enchem tanto a cabeça quanto os olhos.

Apesar de tudo, o filme concorre ao Oscar em categorias como melhor filme e melhor ator, o que diz mais sobre a premiação do que sobre a obra. E permanece a questão: Ridely Scott voltará um dia à boa forma?

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