AS AVENTURAS DE PI, DE ANG LEE

https://www.youtube.com/watch?v=ZjwsVU49ouo

Uma coisa é certa sobre “As aventuras de Pi”, de Ang Lee: o filme é de uma beleza visual poucas vezes vista nas telas de cinema nos últimos anos, e deve ser visto em 3-D para se aproveitar ao máximo a experiência. Infelizmente, outra coisa também é certa: ele não entrega o momento epifânico e surpreendente que promete durante toda a história.

O filme foi baseado no livro “A vida de Pi”, do canadense Yann Martel -e cuja história guarda uma semelhança notável com um conto do brasileiro Moacyr Scliar, o que levantou até suspeitas de plágio-, e narra a incrível aventura do garoto indiano Piscine Molitor Patel. A história é contada pelo próprio Pi (assim chamado por causa do Pi matemático, aquele do 3,14…) a um escritor com bloqueio para escrever. Após uma primeira parte,  uma espécie de prólogo um tanto quanto longo, sabemos como Pi adquiriu seu nome e seu apelido, e vemos ele abandonando a Índia com a família e os animais do zoológico que eles mantinham no país. Após o naufrágio do barco em que viajavam, restam apenas cinco sobreviventes em um bote salva-vidas: Pi, uma hiena, uma zebra, um macaco e um tigre. Logo, restam apenas o garoto e o tigre. A história que o maduro Pi conta ao escritor é exatamente sobre como ele sobreviveu mais de duzentos dias na companhia do feroz animal. Segundo ele -que é um religioso, mas seguidor de diversas religiões-, é uma história que o fará acreditar em deus. E o problema é que essa frase dá ao espectador uma grande expectativa sobre o que virá.

O que se segue é o já citado grande espetáculo visual, com lances incríveis, como a passagem do cardume de peixes-voadores e a ilha carnívora. O problema todo é o desfecho, quando, subitamente, Pi revela uma outra história sobre seus incontáveis dias no mar, isso depois de mais de duas horas com o espectador assistindo a uma outra versão. O objetivo é claro: entre uma realidade insuportável e uma história arrebatadora, com qual gostaríamos de ficar? O filme é sobre isso: o poder de a ficção conseguir falar sobre a realidade, mas de maneira muito mais intensa. Falta, no entanto, a história conseguir pegar de fato o espectador.

A relação entre Pi e o tigre é muito bem construída,  o animal é uma criação fantástica da tecnologia. É muito interessante ver como o adolescente oscila entre querer se livrar do tigre e não conseguir ir em frente quando a oportunidade se apresenta. Pi, ao contrário, tem de lidar com esse animal selvagem. E a história alternativa mostra porque ele tem de fazer isso. Mas a fugacidade dessa outra história acaba exatamente pro enfraquecer a principal.

No final, “As aventuras de Pi” é um filme fraco de um diretor que já teve muitos bons momentos.

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