A ORIGEM

Cristopher Nolan não é o gênio que andam dizendo por aí. Imagine que tem gente chamando o sujeito de novo Kubrick. Mas não dá pra negar que ele tem feito cinema acima da média. Esse “A origem” é a continuação de um trabalho que varia entre bom e ótimo, claro que dentro das pretensões artísticas do sujeito.

Nolan gosta de roteiros intrincados. “Amnésia”, por exemplo, acontecia de trás para frente. “Batman Begins” e, principalmente, “Batman, o cavaleiro das trevas” reavivaram a grife do homem-morcego, principalmente o último filme e seu inesquecível vilão Coringa, vivido por Heath Ledger. Em “A origem”, Nolan leva as experimentações roteirísticas às últimas consequências, com uma história que em certo momento desenvolve-se em cinco planos diferentes, e mostra que aprendeu bem a lição de Charlie Kaufman: se for usar uma premissa maluca, coloque-a como um dado e não perca tempo tentando justificá-la.

Leonardo DiCaprio -um ator que fica cada vez mais interessante conforme envelhece- vive Dom Cobb, um especialista em roubar segredo das mentes das pessoas, enquanto elas sonham. Ele é abordado por Saito, um rico empresário -vivido pelo excelente Ken Watanabe-, que lhe propõe um desafio: ao invés de roubar uma ideia, ele deve plantar uma ideia na cabeça de um adversário. Cobb topa o desafio, mas, para isso, tem que montar um time e lidar, ao mesmo tempo, com as constantes aparições de sua falecida esposa, Mal -Marion Cotillard, deslumbrante-, que sempre aparece para atrapalhar Cobb.

Cobb, na verdade, carrega a culpa pela morte da mulher, e busca, com esse trabalho, voltar a ver seus filhos. O por quê de ele estar “exilado” da família saberemos apenas lá na frente.

Daí em diante, o filme pode ser dividido em duas parte: preparação -na qual explica como funciona o mundo dos sonhos- e execução, na qual eles vão tentar implantar a ideia na cabeça de Fisher – Cillian Murphy.

Sejamos sinceros: o roteiro é mesmo muito bom, e a ideia de tempo transcorrendo de maneiras diferentes nas diversas camadas de sonho é brilhante, ainda mais como execução visual. Por sinal, o visual do filme é brilhante, e devemos dar um ponto para Nolan, que escapou da tentação de usar o 3-d, mas conseguiu criar um mundo vertiginoso sem o efeito, ainda mais para quem vai ver em I-max.

Outra característica do filme, e que já vinha dos dois “Batman”, é o uso sensacional da música. Nolan consegue criar climas apenas com crescendos e diminuindos da música, de maneria que parece que ela está o tempo todo tocando, não sendo apenas uma coadjuvante do filme, mas, sim, uma protagonista.

“A origem” é feito para gerar uma penca de discussões na internet, milhões de especulações, infinitas interpretações, ou seja, esse tipo de coisa que serve para animar o boteco pós-cinema, ou um papo de dez minutos na festinha de sábado a noite. Escapa da pretensão de “Matrix” de ser filosofia -vagabunda- e aparece como aquilo que é: entretenimento inteligente.

Só lamento que o pobre Nolan não vai ter muito tempo para colher os louros desse filme. Logo, logo, vai ter que entregar a continuação do maravilhoso “Batman, o cavaleiro das trevas”, essa sim uma missão para alguém acima da média da produção atual.

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