O ESCRITOR FANTASMA

Pobre Roman Polanski, quando sua reputação parecia estar de volta com o excelente “O pianista”, o fastasma do passado pedófilo volta para atormentá-lo. Talvez isso explique o por quê de o filme “O escritor fantasma” começar com bom fôlego, mas acabar  melancolicamente mal. Teria sido o polonês pego no meio da produção do filme pela volta do escândalo?

Fato é que a obra parte de um premissa muito boa. O ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha -Pierce Brosnan, canastrão como poucas vezes na carreira- está às voltas com um escândalo humanitário e político envolvendo a participação do país na guerra do Afeganistão, sendo, inclusive, traído por um antigo membro de seu gabinete. Ao mesmo tempo, seu leal assistente e responsável por ser o ghost writer de sua biografia, aparece morto, provavelmente por suicídio. É aí que entra o personagem do escritor fantasma, vivido por Ewan McGregor. Quase toda a ação se desenvolve em uma casa incrível, localizada em uma ilha nos EUA, mas com clima melancolicamente britânico. Lá fora, os manifestantes dos direitos humanos estão furiosos com o ex-primeiro-ministro, que corre para pedir socorro aos amigos de Washington.

Qualquer semelhança com Tony Blair não é mera conincidência, à parte o fato de o ex-primeiro-ministro ser retratado como um ser meio abobalhado, meio cafajeste, o que, até onde se sabe, não é o caso de Blair. Por tudo isso, parece que vamos ver um filme sobre bastidores políticos, com traições, reviravoltas, revelações. Mas, conforme o filme anda, o suspense conspiratório vai tomando o espaço da trama política, e aí o filme vai perdendo força.

O roteiro é de Polanski com Robert Harris, que, por sinal, escreveu o livro que deu origem à obra. Não vale nem a pena entrar na discussão sobre adaptações literárias, até porque não li o livro. Mas cabe questionar se ele também faz de maneira tão fraca a transição de drama político para suspense conspiratório. E aqui cabe mesmo questionar quanto Polanski se viu afetado pela suas baboseiras passadas, a ponto de, digamos, começar a errar a mão.

A única coisa possível é torcer para que Polanski não morra sob o peso da decepção com sua prisão domiciliar, ou fique preso para o resto da vida nos EUA, pois certamente “O escritor fantasma” não é um filme digno de alguém que está na história do cinema, independentemente de seu caráter.

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