SARAMAGO

Quão grande é a dor? Quão grande é o vazio? Para Saramago, o vazio e a dor são de tamanho ínfimo, incomensurável, incontestável! Ele, um materialista, um comunista, um…sei lá…um ser humano? Humanista em suas últimas manifestações?

Por mais que queiramos, não haverá metafísica suficiente para Saramago.

Ele não crê em Deus, em deus. Ele riu de deus, mas não como um idiota, mas sim como alguém que enfrenta algo maior, algo mais substancioso, esse algo chamado:vida. Ele pode ter errado a vida toda e estar sendo recebido eternamente no reino de céu: diria ele: onde está Camões? Onde está Pessoa? Quem quer cruzar além do Bojador. Mas ele  pode ter estado certo, e nada mais resta além do que seus livros. Os livros, essas memórias que carregamos, seus livros, dos quais não falamos como O livro, mas sim como o livro que lemos em algum lugar, em algum por do sol, em algum nada. Sim, porque nada será tão revelador e adolescente quanto sua cegueira, nada será tão lindo quanto a sua Blimunda, em uma intermitente noite de frio.

Nada será tão lindo quanto o filho de meu filho lendo seus livros, eu também não entendendo, eu tentando explicar para o filho de meu filho -porque só esses terão o tempo livre para ouvir um velho- e entenderemos juntos que, por mais que tentemos, sempre haverá algo por dizer.

Mestre Saramago, sempre haverá algo por dizer. O que? O que?

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  1. Pingback: Saramago « Le Club du Livre

  2. ah, fred! ótimas linhas, como pausa para um fim saramaguiano que não se deu. assim como não se deu o fim de pessoa que nos desafia a passar além
    do bojador porque nele se espelhou o céu.
    .
    há dor sim, mas há legado, porque valeu a pena e ainda valerá.
    .
    quanto ao “o que haverá por dizer”, saramago lhe diria que, ao homem são
    postados velhos ou novos “ques” como desafio à sua própria vida.
    .
    a sua escolha, consciente ou não, traçará uma pausa que espero, seja tão simples, forte, clamante … pelo que foi, mas ficou. abrs

  3. Bem poeta para falar de saramago, que na prosa, fez poesia, fez música…

    Depois, veja no meu blog o que eu já escrevi sobre ele: no dia de sua morte, e sobre Caim – totalmente outra abordagem!

    bjs


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