UM HOMEM FELIZ

“Um homem feliz”. Em fracês, o título seria “O bom humor de Pierre”. Pierre é o senhor francês grisalho aí no primeiro plano do cartaz, e o filme começa com ele dando uma aula de física quântica nem uma universidade de Paris, dizendo que todos somos uma coisa só porque compostos de micropartículas. A aula acaba e ele recebe um telefonema dizendo que sua tia morreu. Ela morava no Canadá há décadas, e deixou para ele uma pousada de herança. Ele logo se lembra de uma cena de infância, no Canadá, junto com sua tia, e logo fala em como seria bom retomar uma vida de aventuras. Pronto: já pensei que tinha acertado no filme e que veria uma espécie de “Up” de carne e osso. Ledo engano. O filme de Robert Mènard é uma bela porcaria.

Pierre tem uma filha, Catherine. Jornalista turrona, não quer se mudar para o Canadá, asm é logo convencida pelo pai, que conta que, além do hotel, a tia deixou uma quantia formidável em dinheiro, mas, para ter direito à herança, teriam que ficar no local por um ano e um dia. E lá vão eles para o Canadá, instalarem-se em uma cidade de 400 habitantes, que é dirigida a mão de ferro por um prefeito. O tal prefeito demonstra interesse na pousada, mas Pierre nem pensa em vendê-la. Daí em diante, o filme todo é focado nas artimanhas do prefeito para tentar fazer Pierre e Catherine a abandonarem o lugar. O filme descamba para a comédia, e uma daquelas bem ruins e sem graça.

Há uma certa motivação xenofóbica do prefeito, que abomina gente de fora na sua cidadezinha, e um ou outro comentário sobre patrimonialismo -ah, esse problema tão nosso-, pois o homem distribui cargos públicos e manipula a administração para prejudicar os recém-chegados franceses.

Talvez a grande história do filme seja a forma históica e otimista com a qual Pierre leva a vida, não se deixando afetar pelas manobras do prefeito, enquanto Catherine vai ficando cada vez mais raivosa com a situação, até atingir a letargia. Bom, seria um bom caminho, mas que só é pincelado aqui e ali.

O flme não entrega nem a questão da busca de uma infância perdida, nem a comédia em que se afunda, e nem o aprofundamento do otimismo de Pierre. Ou seja, o flime consegue falar sobre muitas coisas, mas não falar sobre nada. É uma obra -obra?- que chega a dar vergonha.

Vai mal a minha mostra esse ano…

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