Gente como a gente

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Os últimos filhos do cinema independente norte-americano mostram basicamente personagens normais, gente sem aquela beleza hollywoodiana estonteante, lidando com problemas hora frugais hora absurdos; enfim, gente como a gente. “Eu, você e todos nós”, de Miranda July, “Hora de voltar”, de Zach Braff, Pequena miss sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris são apenas alguns dos recentes filmes dessa onda. O mais novo integrante nesse grupo é “Juno”, de Jason Reitman.

O filme conta a história dessa menina de 16 anos, Juno (Ellen Page), que fica grávida do melhor amigo (Michael Cera) logo na primeira vez. Depois de decidir e desistir do aborto -uma das melhores cenas do filme-, Juno resolve dar seu filho para um casal que não consegue engravidar. É assim que ela conhece o casal perfeito formado por Jennifer Garner e Jason Bateman. Daí em diante acompanhamos a vida de Juno -sempre pontuada pela ótima trilha sonora-, a gravidez, o envovimento com os futuros pais adotivos de seu filho, a reação -ou não reação- do pai da criança. 

No meio de todos os adultos do filme, Juno acaba revelando-se a mais madura de todos, ainda que por vezes não perceba o relativo interesse do futuro pai adotivo -um adolescente de 30 anos- nela e deixe escapar outras sutilezas do mundo adulto. O roteiro da ex-striper Diablo Cody é ótimo, cheio de belas tiradas, e faz com que seja impossível não gostar de Juno, uma garota esperta, inteligente e rápida com as palavras. Na verdade o roteiro tem sido a grande contribuição do cinema independente para a cena norte-americana. Tanto assim que “Juno” levou o Oscar desse ano, enquanto “Pequena miss sunshine” papou o prêmio em 2007. Numa terra onde os roteiros são comprados a preços milionários, deve causar certo horror obras tão baratas serem justamente as mais premiadas nos últimos tempos.

“Juno” é um filme simpático, muito bem interpretado, que se vê com um sorriso no rosto, apesar de, como também seus pares independentes, não ter grandes ambições e não colocar grandes dilemas nem oferecer brilhantes soluções. Mas, afinal de contas, eu nunca conheci ninguém que tenha salvado o mundo, mas já ouvi muitas histórias próximas de gravidez indesejada. Por isso gostamos tanto dessas pequenas e passageiras pérolas.

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