Os bonecos de Paul Haggis

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Crash ganhou o Oscar de melhor filme de 2006. Não merecia. É um filme mecânico demais, baseado na idéia de ação e reação, onde tudo o que acontece tem um consequência tida como lógica, e tudo vai em um crescendo muito óbvio e determinista.

Para piorar, os personagens são demasiado planos. Apesar de todos terem “vidas” que aprofundam suas personalidades, na verdade são todos tipos ideais. O chicano bonzinho trabalhador; o casal negro rico que sofre preconceito; o “good cop, bad cop”; o estrangeiro que luta na terra das oportunidades, e por aí vai.

A narrativa truncada, mostrando várias situações que vão se encontrando, já não é nenhuma novidade. Na verdade, virou um recurso chavão, tão óbvia quanto a narrativa linear. E, quando um artifício fica batido, mais difícil é utilizá-lo de maneira original. Paul Haggis, diretor e roteirista, falha. Não tem a originalidade de um Iñarritu (de Babel e Amores Brutos), que usa a narrativa fragmentada partindo de um único ponto, indo e avançando, destruindo o tempo.

Talvez a minha visão tão mordida sobre esse filme venha do fato de ele ter batido Munique, do Spielberg, no Oscar. Esse sim é um filme denso, onde as coisas não são colocadas preto no branco, os personagens têm dilemas e evoluem. Em Crash, a única evolução é o “good cop” matar um inocente. Pelo amor de deus, santa obviedade!

Talvez o único mérito do filme seja a sensação de indignação constante que fica, a injustiça praticada nas telas e que incomoda. Ainda assim, são sensações que se vão depois da primeira noite de sono. Não discute a fundo os problemas daquela sociedade, e aí sim ele fracassa, se não chega a ser conservador, ao cosmetizar os embates diários da cidade.

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  1. O senhor é um fanfarrão!! Tudo bem não gostar de Crash (bom filme), mas querer aproveitar pra falar bem de Babel? Babel é um filme bem simples. “Vou abrir feridas em 10 personagens e passar três horas fudendo com eles, até não poder mais, pra causar pena, aflição ou asco.” Crash não é genial, mas tem uma boa sensibilidade. E é um filme que tem algo em comum com “Lions for Lambs” (recente do Redford): é voltado pros próprios retratados – pra quem vive em L.A, no caso. Viajando um pouco, é como pedir pra um americano ou europeu falar o que achou de “Tropa de Elite” ou “Cidade de Deus … vão comparar o primeiro a “dia de treinamento” e o segundo a qualquer filme de gang de NY… concorda?

  2. A Ana Paula acha que só ela trabalha de verdade. Só pq acorda 7h da manhã e depois fica babando em toda e qualquer mesa de bar, balada e afins. Tesc tesc tesc… Enfim, interessante ponto de vista Kling. Nunca tinha pensando no Crash desse jeito. Mas, mesmo concordando com o que você disse, continuo gostando mais dele do que de munique. Sei lá, talvez eu goste das coisas “preto no branco”: é pra eu não ter que pensar muito… hauahuahauau


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