A invenção de Bioy Casares

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Viver uma vida em eterna angústia ou apreciar um fatal momento de extrema felicidade? Esse parece ser o dilema final de “A invenção de Morel”, escrito em 1940 pelo distinto senhor aí de cima, o argentino Adolfo Bioy Casares, grande amigo de Jorge Luis Borges -com quem escreveu obras a quatro mãos.

O livro é o relato de um fugitivo. Não sabemos quem ele é, nem qual o seu crime. Alega inocência e, fugindo, vem parar nessa estranha ilha, na qual pessoas aparecem e somem, e onde ele se apaixona por Faustine, que lhe trata com dolorosa indiferença. Mas essa indiferença tem explicação na invenção de Morel, cientista que trouxe algumas pessoas para participarem de um experimento no local, experimento esse fatal para as “cobaias”, que sobre ele nada sabem. À narrativa em primeira pessoa acrescentam-se comentários de um eventual editor. Colocados no rodapé, essas notas levantam dúvidas sobre a veracidade do relato, mas, paradoxalmente, servem para imprimir certa verdade ao que se lê.

O livro mescla algo de literatura policial -o fugitivo, sua declaração de inocência e sua investigação sobre a ilha- e literatura fantástica. O idílio que Morel tenta trazer a seus amigos mostra-se mortal, fato significativo quando se tem em mente que o livro foi escrito em 1940, no princípio da Segunda Guerra Mundial, e que Morel é uma corruptela de Moureau, o cientista criado por H.G. Wells que promove experiências genéticas, tambem em uma ilha, a fim de acelerar a evolução humana.  

O fugitivo consegue desvendar o mistério da invenção de Morel, e, com isso, coloca-se diante do dilema de vida ou morte. Qual a sua escolha? É aquela que aponta para um humanismo lírico, que não deixa de chamar a atenção num mundo então dominado pela tecnologia destruidora. Vale a leitura de suas parcas páginas.

“A invenção de Morel”, Adolfo Bioy Casares, CosacNaify, 132 pgs.

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