Posts de Setembro, 2009

UP

Setembro 29, 2009

“Up” é um grande filme da Pixar. Mais um, por sinal, porque nos últimos dez anos, desde que o estúdio começou sua produção de um longa anualmente, “muito bom” talvez seja o que de pior se pode falar sobre suas obras. Agora, sob a direção de Pete Docter, temos o belo encontro do velhinho ranzinza Carl Fredericksen e do encantador garoto Russel. E mais uma vez, a Pixar coloca toda a sua excelência técnica -o filme foi feito em deslumbrante 3-D- em prol de um único objetivo, que é contar a história da melhor forma possível.

O filme começa com um mocinho Carl, um menino sonhador que admira o aventureiro Charles Muntz. Um dia, ele encontra a falastrona garotinha Ellie, que também adora Muntz, e eles se tornam bons amigos. Depois, viram grandes amigos, namoram, casam, descobrem que não podem ter filhos, envelhecem, vivem uma vida alegre juntos -até a morte de Ellie. Todas essas décadas de história são contadas na primeira grande cena do filme, que resume a vida do casal em apenas alguns minutos. É absolutamente brilhante. Mas, depois, encontramos um Carl viúvo, ranzinza, habitando sua velha casa cercada por prédios altíssimos. Ele não teve a vida de aventuras que um dia desejou.

Russel, por sua vez, é um jovem escoteiro que um dia bate na porta de Carl. Ele tem que ajudar um senhor para ganhar mais uma insígnia, e vai atormentar Carl até que esse lhe dê uma tarefa. Mas o velho, cansado daquela vida, tem uma última carta na manga -infla milhares de balões que, amarrados à casa, fazem com que essa saia flutuando, colorindo a cidade -mais uma cena de dar lágrimas nos olhos-, indo rumo às cachoeiras que um dia ele sonhou visitar com Ellie. O que ele não esperava era que Russel viesse sem querer nessa estranha missão de auto-conhecimento, uma espécie de último ato de uma vida que se tornou amarga, a chance final de cumprir uma promessa para sua mulher.

Como dito acima, toda a excelência da Pixar é colocada a serviço da história. E essa, como ususalmente nas obras do estúdio, toca em vários temas, como a amizade, a eterna segunda chance, a inocência, e muitos outros, mas sem o resultado geralmente vago de quando se tenta abordar tantas coisas. Aqui, tudo é feito com muito esmero, os sentimentos são todos bem regulados, bem pensados, diálogos e personagens bem escritos. Mais uma vez, o estúdio consegue encantar tanto a garotada quanto os mais velhos. Pode-se dizer que é uma benção levar a criançada para ver algo tão interessante e belo. E, se você não tem filhos, sobrinhos, primos, não se preocupe -a marmanjada também pode se deliciar com o filme sem precisar de desculpas.

Confesso, porém, que fiquei com um pé atrás ao ter a triste surpresa de que em São Paulo só havia versões dubladas. Descobri, depois, que ainda não há tecnologia para colocar legendas em filmes 3-D. Mas não deixe que isso seja um empecilho -essa não é mais uma obra dublada por “atores” da “Malhação” ou baboseiras desse tipo. A dublagem é de gente profissional, e passa-se muito bem com o som em português.

Para os que se maravilham com esse resultado -bom, com os resultados da Pixar, na verdade-, devem saber que cada obra do estúdio é fruto de no mínimo 3 anos de muito planejamento. Ainda que feitos no computados, os desenhos são trabalhos de artesãos. Não surpreende, portanto, que a Pixar tenha sido comprada pela Disney, cujo império construiu-se sobre algumas obras de arte desenhadas de maneira artesanal, filmes inesquecíveis como “Fantasia”, “Bambi”, “A bela e a fera” e por aí vai. Não é pouco dizer que “Up” faz jus a pertencer a uma linhagem tão nobre da arte de desenhar, da arte de sonhar.

A grande sacada da Disney foi ter preservado John Lasseter no comando do estúdio. Esse homem que usa camisetas floridas e cabelos grisalhos desgrenhados é a mente inventiva por trás do sucesso da Pixar, mas, como todo gênio digno desse título, sabe que suas obras são frutos de um equipe dedicada e igualmente inventiva. O Festival de Cinema de Veneza reconhece a importância de Lasseter e da Pixar, por isso, deu a ele um prêmio especial em sua última edição. Se você duvida do merecimento dessa homenagem, veja “Up” e tente passar sem uma notinha de emoção que seja.

ANTICRISTO

Setembro 21, 2009

“Anticristo” é mais um filme polêmico de um diretor acostumado com as polêmicas. Quando fez o musical “Dançando no escuro”, o dinamarquês Lars Von Trier foi acusado de manipular os sentimentos do público e renegar o Dogma, movimento estético fundado por ele e outros diretores como Thomas Vintemberg e que pregava, entre outras coisas, obras que não tivessem gênero. “Dogville”, por sua vez, causou sensação com seu absoluto despojamento estético e com uma agoniante cena de estupro “consentido”. “Anticristo” é vendido como o filme de terror de Von Trier, e teve passagem negativa no Festival de Cannes desse ano, onde foi recebido a pedradas, risadas e acusações de misoginia. Se falha enquanto filme de terror, faz jus às críticas negativas. É uma obra que mexe com o público, mas não pelas razões certas.

O filme começa com uma longa cena de sexo intercalada com outa do filho do casal saindo do berço e caminhando para a morte, ao cair de uma janela aberta. À partir de então, vemos o pesado mergulho da personagem de Charlotte Gainsbourg -que levou a Palma de Ouro em Cannes pelo papel- no luto, enquanto seu marido -Willem Dafoe-, um psiquiatra, tenta tirá-la desse estado de desespero total. Em busca de uma saída, isolam-se em uma casa de campo convenientemente chamada de Éden, em uma referência óbvia ao jardim bíblico. A referência fica boba, pois sabemos que esse Éden será, na verdade, o inferno final do casal.

Dafoe representa a racionalidade, pois em nenhum momento demonstra um pesar profundo pela morte do filho, e, ainda por cima, renega os remédios dados à esposa, pois crê que só ele e sua análise racional da situação poderão tirá-la do torpor e do desespero, ainda que para isso rompa com uma das principais regras não escritas da psicologia, que aconselha não tratar daqueles próximos -ele encarna uma certa arrogância intelectual que pensa poder resolver tudo com a razão. Gainsbourg, por sua vez, faz uma interpretação à beira da histeria total, passando a maior parte do tempo alternando choros convulsivos com ataques de furor sexual.

O filme trabalha em dois registros: o real, do que acontece naquela cabana no meio do mato, e o simbólico, que aparece para justificar o cada vez mais profundo estado de alienação de Gainsbourg. Sendo assim, poderíamos pensar que Von Trier vai atuar na área do terror psicológico, mas o susto, o medo, constantemente prometidos pela música, nunca chegam. O diretor empilha cena em cima de cena, sem alcançar um efeito, um sentimento. Quando já estamos um tanto quanto enfadados pela verborragia que não leva a lugar nenhum, Von Trier nos proporciona o tão esperado banho de sangue, com no mínimo duas cenas inesquecíveis, de tão grotescas. Só que, mais uma vez, o que vemos parece surgir apenas como ocasião, e não para fazer sentido com  a história anterior.

Um dos principais problemas do filme são as cenas altamente estilizadas. A primeira, na qual o casal faz sexo enquanto o filho morre, consegue o negativo efeito de nos afastar do trauma do acontecimento. Não conseguimos entrar na dor da perda e, assim, a histeria posterior torna-se enfadonha, e não insuportável, como deveria. Se Von Trier foi acusado de manipular os sentimentos do público em “Dançando no escuro”, aqui ele peca por manter o público afastado de seus personagens.

O pior é perceber que a história, atuando nos planos do simbólico e do real, poderia resultar em algo bem mais interessante. É muito estranho dizer isso de Von Trier, um diretor tão cultuado no chamado circuito artístico, mas parece que sua obra ficaria melhor, mais efetiva, se feito nos moldes do cinemão de Hollywood. Com uma premissa muito interessante, Von Trier não conseguiu nem fazer uma obra de profundidade psicológica e nem uma obra simplesmente sanguinária, ainda que tente desesperadamente flertar com ambos.

Ao final, as cenas de agressão crua contra os orgãos genitais feminino e masculino é o que ficam na mente, o que só demonstra uma vontade final -pois o sangue só aparece nos últimos 20 minutos de filme- de tentar tocar o espectador, após o fracasso total de estabelecer qualquer empatia com o público. Só nos resta esperar por “Washington”, o esperado fecho da trilogia que Von Trier começou com “Dogville” e continuou com “Manderlay”. Torçamos para que esse “Anticristo” tenha sido apenas um infeliz intervalo na ótima produção do cineasta.

JOGO DE CENA

Setembro 14, 2009

“Jogo de cena”, de Eduardo Coutinho, segue a seara aberta pela atual e quente discussão sobre as fronteiras entre realidade e ficção. Seria esse filme em que mulheres contam passagens marcantes de suas vidas um documentário? Mas e as partes em que atrizes encenam os depoimentos reais? Seriam essas partes ficção? Como se pode ver, Coutinho passa uma borracha nessas fronteiras, mas não para promover o batido argumento “baseado em fatos reais”, tão grato a uma certa estirpe do cinema nacional, como se fosse um espécie de selo de qualidade. Coutinho, documentarista dos mais respeitados mundo afora, está muito acima da mera mimetização da realidade.

Já de saída, o filme mostra a que veio. Começa com o depoimento de uma mulher contando como engravidou inesperadamente de sua filha, prossegue com ela contando sua segunda gravidez, então a cena corta e vemos a atriz Andrea Beltrão contando a história de onde a outra parou. As cenas se entrelaçam: uma conta, a outra reconta. Uma destrincha a morte do filho desejado com improvável resignação, a outra “interpreta” o depoimento debaixo de um mar de lágrimas -talvez o mar que esperaríamos de um depoimento desse tipo. A partir daí, pode-se proceder à análise de todo o filme.

Quem é real? A mulher resignada que conta sua história com aparente frieza, ou a atriz Andrea Beltrão, que se emociona de verdade com o depoimento que interpreta? Apesar de não ser sua história, não são os sentimentos da atriz tão verdadeiros quanto a história da outra mulher?

O que temos depois é novamente o uso desse recurso: a depoente verdadeira, intercalada com uma atriz. Coutinho, no entanto, não nos dará caminho fácil: temos então uma atriz falando, sem uma base anterior ou posterior para apontarmos qual o grau de ficção e realidade do que ela conta, e aí, então, as fronteiras estão definitivamente embaralhadas.

Coutinho faz um exercício impressionante de destrinchar a maneira como o processo criativo se dá nesses tempos de ditadura da realidade, um recurso ainda pouco usado, mas visto com maestria em filme de João Moreira Salles e na literatura de José Eduardo Agualusa. Para isso, o documentarista mostra as atrizes discutindo o processo de interpretação dos depoimentos, inclusive as reiteradas falhas e dificuldades de uma delas.

Com esse processo, Coutinho parece dizer que o importante não é o quanto aquilo que se diz na tela é real ou não, mas sim que o importante é o efeito sobre nós daquilo que vemos, independente da verossimilhança. Não importa se a mulher que rasga seu coração na tela -o que fazem todas elas, em maior ou menor grau, é exatamente rasgar o mais íntimo de seus seres para expô-los- é a dona da história. A realidade não é a da história, mas a dos sentimentos. Talvez, uma forma de dizer que essa discussão sobre fronteiras entre realidade e ficção seja uma grande balela.

Para dar seu recado final, Coutinho finaliza com uma jogada de gênio, filmando a mulher que retorna para refazer seu depoimento, achando que sua primeira entrevista foi muito triste, muito deprimente. É uma mulher querendo reescrever a realidade que antes haviamos visto e aceitado como “A” realidade, mas ela mesma quer -e pode- mudar a forma dessa realidade. Ou seja, nem a realidade é tão real assim, então o melhor é deixarmos de lado a atual fixação com essa dita “realidade” e simplesmente aproveitarmos um material humano de primeira, capaz de emocionar até mesmo uma pedra, mas que o faz debatendo com agudez certo estado de coisas atual.

O PASSADO

Setembro 9, 2009

Existe uma quase eterna discussão sobre as adaptações cinematográficas de livros. Por serem mídias diferentes, é óbvio que uma adaptação nunca será igual ao filme. Quais seriam os limites dessa transposição? O que seria essencial? Penso que “Apocalipse Now”, de Francis Ford Coppola, é a adaptação perfeita, pois não guarda nenhuma semelhança com o livro “O coração das trevas”, de Joseph Conrad, a não ser o clima caótico, a ideia principal. “O passado” de Hector Babenco, seria, portanto, a antítese de uma boa adaptação, pois trai mesmo o conceito da obra em que se baseia.

“O passado”, o livro, é uma obra caudalosa e verborrágica do argentino Alan Pauls, já comentada aqui. Logo de saída, a principal dificuldade de uma adaptação seria com a quantidade de detalhes que Pauls coloca em seu texto, fazendo-o quase barroco de tão detalhista. Se não se pode ser fiel a esse detalhe estético, que se seja fiel à ideia do livro, e a ideia é um homem que se crê dono de seu destino após o fim de um longo relacionamento, mas que faz apenas evitar o acerto de contas com o passado, enquanto não deixa de ser levado pelas mãos de outras mulheres, ainda que sempre assombrado por um relacionamento anterior. É essa ideia que Babenco trai.

Sofia, que no livro é uma mulher que transita entre a obstinação, a impulsividade e a obsessão, é transformada em apenas uma louca  pusilânime na horrível interpretação de Analía Couceyro, o que faz toda a diferença quando se sabe que é exatamente essa Sofia que deveria ser a força motriz da história, o combustível invisível que está sempre a empurrar Rímini -interpretação fraca de Gael Garcia Bernal- para o ponto seguinte, a mulher seguinte. Essa, portanto, não é apenas uma licença poética nos moldes de Coppola, que transportou a ação de seu filme do Congo Belga para o Vietnã -é uma mudança que faz toda a diferença e já indica o mal caminho que Babenco irá adotar. Não é preciso nem comentar todas as outras “licenças” que Babenco se permite, desde as mais inocentes, como mudar cores de cabelos, até as mais trágicas, como mudar características decisivas dos personagens.

Esteticamente o filme é outra desgraça, tentando trilhar o falso caminho da cartilha dos filmes de arte, com fotografia teoricamente belas, mas que parecem falhar totalmente, evitando o close quando esse era mais necessário, desperdiçando tempo com inutilidades e trabalhando definitivamente contra a obra. Não é apenas no conteúdo que o filme fracassa.

Mas a bomba maior está mesmo reservada para o fim. Na útlima cena, Babenco muda todo o sentido da história contada no livro, trai a essência do que Alan Pauls escreveu e faz sua própria história -muito ruim, meio canastrona até- sobre como Rímini supera o seu conturbado relacionamento com Sofia, quando é exatamente o contrário, Rímini apenas descreve um imenso e tortuoso arco apenas para voltar aos braços dessa mulher, desse fantasma do passado. A questão é se Babenco definitivamente não entendeu a obra ou se agiu com desonestidade intelectual mesmo, dando-se o luxo de usar apenas nomes e passagens dos escritos de Pauls para fazer seu estrago.

Duro mesmo deve ter sido para Pauls, depois de cometer um dos melhores livros dos útlimos anos, elogiado pelos quatro cantos do planeta, pelas mais variadas e brilhantes mentes críticas, ver uma obra tão bela, tão cheia de conteúdo e significado receber uma adapatação que é menos do que lixo. Melhor sorte para outros escritores.

WATCHMEN

Setembro 2, 2009

Muito se discute sobre qual lugar os quadrinhos deveriam ocupar na cultura mundial. Uns dizem que devem ficar no status de arte pop, julgamento que relega-os a uma posição cultural inferior. Outros afirmam que quadrinhos são sim uma expressão artística legítima e de qualidade, ainda que sempre haja as exceções, assim como em qualquer outra forma de arte. “Watchmen”, sem dúvida, ajuda a posicionar os quadrinhos em uma posição cultural elevada.

A história surgiu da união da inquieta mente do roteirista Alan Moore com o traço certeiro de Dave Gibbons, aproveitando-se de um punhado de heróis que a editora DC adquiriu ao comprar os direitos de uma editora menor do mercado. O primeiro criou o argumento, que parte da premissa de que os heróis são apenas pessoas normais, com problemas normais e que afetam decisivamente o mundo a sua volta, ainda que haja espaço para algumas passagens para lá de extraordinárias, mas plenamente justificáveis. Gibbons, por sua vez, se não insere nenhuma grande novidade com seu traço clássico, é capaz de sutilezas de enquadramento e de detalhes dignas dos melhores diretores de cinema.

A história começa com a morte do Comediante, um dos poucos vigilantes autorizados pelo governo a atuar -uma lei proibiu a atividade dos mascarados. O crime chama a atenção de Rorschach, uma figura paranóica que atua na clandestinidade e contra a lei. Ele entra em contato com seus antigos companheiros de máscaras, pois crê que o assassinato não tenha sido apenas um crime comum, teoria que vai ganhando força na medida em que outros ex-vigilantes são atacados.

Sob essa premissa, Moore fez um imaginativo exercício contrafactual, criando um mundo no qual os Estados Unidos servem-se dos poderes incríveis do Dr. Manhattan -um homem comum atingido pelo manjado truque do acidente atômico- para desequilibrar a balança da Guerra Fria. Assim, os soviéticos ficam em constante estado de prostração política, permitindo, inclusive, que os norte-americanos ganhassem a Guerra do Vietnam e reelegessem muitas vezes mais Richard Nixon.

Nesse pano de fundo fantástico, Moore vai contando as histórias dos homens e mulheres que foram vigilantes, pessoas que são cheias de angústias, temores, remorsos e paixões. É uma história na qual o grosso da ação não acontece externamente, mas sim dentro de cada uma daquelas personagens. E para narrar essas histórias, o roteirista, contando com a habilidade imagética de seu desenhista, cria uma porção de passagens paralelas, aparentemente sem sentido, mas que vão justificar por fim as ações dos envolvidos.

Moore não se furtou nem mesmo a mostrar que, mesmo sendo um exercício contrafactual, a maior parte da ação passa-se em uma Nova Iorque decadente, apesar da posição hegemônica norte-americana- e Nova Iorque era exatamente um antro do esgoto dos Estados Unidos no período pré-Rudolph Giulliani.

O que se tem, por fim, é um belo exercício narrativo que marcou a arte dos quadrinhos, aliando um roteiro extremamente bem amarrado a uma execução visual de primeira para fazer uma reflexão aguda sobre a década em que foi escrita -1980-, mas sem se furtar a apresentar personagens maravilhosamente construídas. Não sei quanto aos outros, mas, para mim, isso já basta para colocar essa obra em um patamar superior na produção cultural.