Posts de Julho, 2009

A CHAVE DE CASA

Julho 23, 2009

Tatiana Salem Levy nasceu em Lisboa, filha de pais comunistas exilados pela ditadura, neta de avô judeu que lhe deu a chave da casa que habitou na Turquia. A personagem do livro “A chave de casa”, de Tatiana Salem Levy, nasceu em Lisboa, filha de pais comunistas exilados pela ditadura, neta de avô judeu que lhe deu a chave da casa que habitou na Turquia. Ainda assim, a escritora resiste a fazer um paralelo autobiográfico com essa personagem.

Obviamente, tantas semelhanças trazem à tona a eterna -e tão em voga- discussão sobre as fronteiras entre realidade e ficção, assunto amplamente debatido por Tatiana e outros em mesa na última Festa Literária Internacional de Paraty, comentada aqui. Nessa ocasião, a tímida Tatiana rechaçou veementemente essa parcela autobiográfica em seu livro. Quando a mediadora a questionou sobre as cruas cenas de sexo, pensei que a escritora fosse se fechar de vez, mas não se fechou.

Talvez a mediadora não tivesse lido o livro, atendo-se a detalhes, quase fofoquinhas. É claro que há uma porção da própria vida da escritora na obra. O interessante é o que ela faz com isso. E o que ela faz é literatura de alto nível, tanto formal quanto material.

Os capítulos tem durações variadas, entre poucas páginas e poucas linhas. Neles, tem-se diferentes camadas. Às vezes, estamos com a filha que acompanha a mãe doente terminal; outras, acompanhamos a mulher que se relaciona com um homem assustadoramente direto e misterioso; há a escritora em angustiante estado de imobilidade física e emocional; por fim, há a mulher que parte para a Turquia, com a chave que lhe deu seu avó, em busca de um passado distante.

Todas essas facetas se alternam de maneira desordenada e maravilhosamente bem escrita. Sejam arroubos de poucas palavras, sejam passagens mais longas, logo percebemos que acompanhamos, de fato, as várias partes de uma mesma mulher. Mas se fosse só isso, o romance seria fraco e óbvio.

A sacada de Tatiana é a forma como ela entrelaça todas essas camadas. É dessa maneira que ela efetivamente destrói as fronteiras entre realidade e ficção. Ainda que indiscutivelmente a premissa seja real, ela desenvolve a obra de forma que não pensemos no que é real e o que não é e, na verdade, fazer esse tipo de  indagação só serve para diminuir a força do romance.

Será que a história com o homem misterioso é verdadeira? Todas aquelas cenas de sexo tão sensualmente escritas aconteceram? Tatiana esteve mesmo em uma casa de banho turco onde se sentiu atraída por uma bela mulher? Essas são questões inúteis. A própria Tatiana trata de borrar essas fronteiras, fazendo habilmente com que uma camada questione passagens das outras.

O único ponto fraco do livro é que ele dá uma certa, digamos, acelerada no final. A calma no desenvolvimento, que era uma das marcas até certo ponto, parece dar lugar a uma ansiedade por resolver os diversos caminhos. Mas essa é uma obra de estréia, na qual pode-se excusar tal problema.

Exatamente por ser uma obra de estréia, a ansiedade pelo que está por vir torna-se grande. Enquanto isso, leiam “A chave de casa”, livro escrito com grande habilidade técnica, profunda análise psicológica de uma mulher, pelo qual não se passa sem se perceber que algo diferente aconteceu.

HORAS DE VERÃO

Julho 14, 2009

Muitas qualidades tornam um filme grande. Talvez a capacidade de dizer coisas profundas por meios sutis seja uma delas. Se for, “Horas de verão”, do francês Olivier Assayas, é um grande filme. É uma obra capaz de colocar em cena questões importantes e instigantes com uma imensa despretensão, tão grande que, para os desatentos, tais questões podem mesmo passar despercebidas.

O enredo é basicamente a história de três irmãos que se veem às voltas com os bens deixados por sua falecida mãe. Adrienne (Juliete Binoche) é uma designer que mora em Nova Iorque, Jérémie (Jérémie Renier) trabalha na China. A matriarca deixa, então, ao economista Frédéric (Charles Berling), o único filho que vive na França, a responsabilidade de conduzir o destino do espólio. Assim, de quando em quando esse três irmãos, afastados por milhares de quilômetros, econtram-se para, por exemplo, decidir pela venda da casa em que morava a mãe.

Mas esta não é uma simples casa. Nela residiu Paul Bethier, ilustre pintor a quem Héléne (Edith Scob) dedicou toda a sua vida. Com a morte do artista, que era seu tio, ela se transformou em espécie de guardiã da memória desse homem, cuja presença de certa forma ainda sufocava a vida de Héléne com tanta intensidade que chega-se a desconfiar de um romance havido entre ambos.

Assayas logo de saída já mostra a que veio, com o filme iniciando-se com uma longa sequência nessa casa de campo, por ocasião do aniversário de 75 da matriarca. Esta, de certa forma já prevendo sua morte, trata de distribuir funções e bens para os filhos. Tudo isso feito de maneira devidamente discreta, com a sutileza que vai ditar o ritmo do filme, exigindo de nós absoluta atenção a tudo, a todas as palavras, a todas as imagens, pois aqui, nada é de graça.

Com a morte, dois dos três filhos, justamente os mais novos e que vivem fora da França, optam por se desfazerem dos bens e da casa. Para decepção não muito velada de Frédéric, o mais velho. Dessa forma, surge uma das cenas mais fortes do filme, quando uma legião de experts entra na casa e começa a vasculhar todas as obras de arte, atribuindo valor a tudo, avaliando o que pode ser vendido e como pode, uma espécie de estupro doloroso de décadas de memórias ali guardadas. Quando a velha empregada da casa chega e Frédéric lhe oferece uma peça a sua escolha, essa velha senhora, espécie de consciência silenciosa daquele lar, escolhe uma vaso, tido como valioso por um especialista. Mas ela o escolhe por ser nele que ela colocava, periodicamente, as flores prediletas da patroa. “Não deve ter nenhum valor”, diz ela. A não ser o valor sentimental, podemos acrescentar.

Essa questão sobre o valor das coisas surge com uma intensidade quase sufocante quando o filho mais velho observa a mesa de trabalho de sua mãe exposta no Museu D´Orsay, de acordo com um pedido dela. Aquela mesa, antes atulhada de papéis, antes detentora de um raríssimo caderno de esboços de Bethier, agora está em um ambiente anódino, sem vida. Sem uso?

Além disso, o filme tambem traz embutido uma instigante observação  sobre a incapacidade de comunicação entre as pessoas. Pois, da mesma forma que Héléne parece não dar ouvido a seus filhos, esse não conseguem se ouvir, e tambem estes parecem não dar ouvidos a suas próprias crias, conflito exacerbado na passagem, aparentemente deslocada, em que a filha adolescente de Frédéric é presa furtando uma loja e portando pequena quantidade de maconha. Pois é essa menina, aparentemente alienada e desinteressada em relação à toda a cultura que sua avó acumulou -Héléne, inclusive, lega aos dois netos adolescentes os quadros mais valiosos de sua coleção, e que são leiloados-, quem dá a palavra final ao filme. Um fecho maravilhosamente poético em meio ao momento mais turbulento da película, espécie de resposta melancólica -talvez não intencional- ao esperançoso desfecho de outro grande filme europeu, a obra “Rocco e seus irmãos”, de Lucchino Visconti.

VISÕES DA FLIP

Julho 7, 2009

A Flip já foi. Vi algumas mesas, umas boas, outras nem tanto. Desde o interessantíssimo debate na mesa “Verdades inventadas” até o show um tanto quanto questionável da mesa com Milton Hatoum e Chico Buarque, essa é a minha visão pessoal do que ali se passou.

 

1- CONFERÊNCIA DE ABERTURA

O professor Davi Arrigucci Jr. abriu a Flip com uma palestra sobre o homenageado desta edição: o poeta pernambucano Manuel Bandeira.

A palestra de Arrigucci foi muito boa e esclarecedora. Conseguiu dar um ótimo panorama sobre a obra e a vida do poeta, sem cair no óbvio, mas também sem beirar o excessivo academicismo. Foi na medida para um público de iniciados, mas não de especialistas.

Entre os momentos mais interessantes da palestra, houve a análise de Arrigucci sobre uma série de antagonismos muto importantes na obra de Bandeira, como as oposições dentro/fora, alto/baixo, antagonismos esses cuja origem Arrigucci encontra em passagens da vida do poeta. A palavra de ordem, para Arrigucci, é alumbramento. É essa palavra, presente em alguns poemas de Bandeira, que representaria o fazer literário do poeta. Uma demonstração da capacidade que Bandeira teve de transformar uma vida de doenças e privações em produção literária de extrema qualidade.

 

2- VERDADES INVENTADAS

Essa mesa reuniu três escritores cujas obras beiram o limite entre realidade e ficção. Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues fizeram breves apresentações de suas obras. Cada uma tem diferentes porções de realidade e ficção. O livro de Tatiana, por exemplo (As chaves de casa) tem claros elementos biográficos, como tratar de uma família que, como a dela, é judia de origem turca, ou a história das chaves da casa turca guardadas por seu avó. Já Arnaldo Bloch ecsreveu “Os irmãos Karamabloch”, que conta a história dos irmãos Bloch que, na década de 1960, criaram um império da comunicação comparável ao de Roberto Marinho. A obra de Rodrigues (Elza, a garota), por sua vez, foi fruto de uma encomenda, e usa ampla pesquisa histórica e construção ficcional para contar a história verdadeira de uma jovem que foi assassinada a mando da direção do Partido Comunista Brasileiro, acusada de traição.

Cada um deu seus motivos para escrever seus livros. Tatiana, por exemplo, negou que seu livro tenha uma carga tão autobiográfica assim. Visivelmente retraída, conseguiu, no entanto, uma nova legião de fãs com a leitura de parte de seu livro, feito que levou uma pequena multidão à sessão de autógrafos, tendo principalmente seu livro em mãos, inclusive esse que vos escreve.

Já Bloch citou a necessidade de desvencilhar-se da pesada herança familiar, ainda mais para alguém que escolheu a carreira de jornalista. Rodrigues, por sua vez, como já dito, atendeu a uma encomenda.

A questão sobre a fronteira entre realidade e ficção fez parte das melhores falas da mesa. Tatiana negava a pesada carga, mas quem deu a palavra final sobre a questão foi mesmo Rodrigues, talvez por não carregar o peso de sua vida em seu livro: “O inseto de Kafka não é uma mentira – é só uma verdade monstruosa”. Disse tudo sobre essa questão que anda tumultuando debates teóricos não só na literatura, mas no cinema também. O problema é: será que essa discussão faz sentido?

No fim, essa foi uma das melhores mesas, com todos os três saindo-se muito bem nas suas falas, atraindo muita gente para a mesa de autógrafos, o que, de certa forma, serve como um termômetro da recepção da platéia ao debate.

3- DEUS, UM DELÍRIO

Richard Dawkins frequentou por um bom tempo a lista de mais vendidos no Brasil com sua obra “Deus, um delírio”, um poderoso panfleto contra o obscurantismo religioso.

Curiosamente, em edição anterior, a Flip já havia dado abrigo a outro escritor, o polemista Cristopher Hitchens, que igualmente passeou pela seara do obscurantismo religioso, mas, ao contrário das falas furiosas e irônicas deste, Dawkins usou de toda a clareza que um reconhecido cientista como ele dispõe.

O mediador Silio Boccanera não se furtou a apenas levantar a bola para Dawkins panfletar. O jornalista brasileiro apresentou questões um tanto quanto incomodas, como ao perguntar a Dawkins o que ele diria se morresse e se visse em presença de Deus. Dawkins: “Qual Deus é você”? Espirituoso.

Pode-se objetar que Dawkins estava jogando para uma torcida só, de pessoas, digamos, esclarecidas, o que pode ter tirado um pouco do poder de combustão de suas palavras. Ainda assim, o cientista não se furtou aos ataques vigorosos contra o obscurantismo religioso, e alguma de suas falas são para pensar, como quando insistiu na não existência de crianças cristãs, ou judias, ou muçulmanas ou de qualquer religião. O que há, disse ele, são crianças com pais religiosos. Essa fala representa todo o seu pensamento contra o doutrinarismo excessivo e perigoso da religião.

Acabou muito aplaudido pelo público, provavelmente pela clareza de pensamento, ainda que sem o tom explosivo de Hitchens.

 

4- MILTON HATOUM + CHICO BUARQUE

Essa era “A” palestra da Flip. A reunião entre aquele que deve ser o melhor escritor brasileiro da atualidade com o autor de um dos lançamentos mais comentados do ano e grande sucesso de público, tudo isso mediado por Samuel Titan Jr. um dos principais teóricos brasileiros de literatura.

Mais um jogo para a platéia. Tenda lotada, as laterais tambem. Parecia mais um show de rock do que uma palestra sobre literatura. A impressão era de que, não importa o que se falasse ali, todos gostariam e aplaudiriam. E foi mais ou menos isso o que aconteceu.

A leitura das obras pelos escritores já demonstrava a diferença do trabalho de ambos. Hatoum leu trechos de seu “Orfãos do eldorado”, obra que, ainda que encomendada, só veio acrescentar a sua pequena, mas incrível, produção literária. Já Chico leu um trecho de seu “Leite derramado”, obra que alguns apressados insistem em classificar como machadiana, colocando Chico como herdeiro do legado de Machado. Exagero que Hatoum, em uma ou outra palestra em universidades pelo Brasil, tratou de retificar, ao fazer algumas críticas duras à produção de Chico. Mas lá eram todos amigos.

A palestra, por sua vez, foi lenta, demorou para engrenar, e prendeu-se demasiado às filigranas do fazer literário de cada obra. Sinceramente, quem não leu os livros, ficou boiando.

Hatoum parecia visivelmente constrangido, pois sabia que aquele enxame de gente não estava todo ali para vê-lo. Uma legião de chicólatras invadiu Paraty. Como Chico é sim uma grande artista, mas com um ego devidamente controlado, ele igualmente mostrou-se um tanto retraído.

No final, o que se viu foi uma palestra que não empolgou, não entregou o que prometia. Mas o público não se importou. À mera fala de que seriam distribuídas senhas para a sessão de autógrafos, uma massa de espectadores levantou-se e correu para a tenda onde ocorreria a sessão, proporcionando deprimentes cenas de furação de fila. Foi o momento baixo da Flip, pelo menos entre os que eu vi.

 

5- GAY TALESE

Talese é um dos papas do jornalismo norte-americanos -e, por que não, mundial. Sua palestra foi muito esperada. Com moderação do jornalista Mario Sérgio Conti, o que se viu foi um pequeno espetáculo de verborragia desenfreada. Por parte tanto de Talese quanto de Conti.

Para se ter uma idéia, foram feitas apenas três perguntas durante toda a palestra. Todas elas longas perguntas, demasiado longas, por sinal, às quais se seguiram ainda mais longas respostas. Sinceramente, não era preciso um moderador. Bastava colocar uma cadeira e falar: Talese, conta aí sua vida.

Talese falou sobre sua família, ítalo-americanos que, durante o dia, torciam pelos Estados Unidos na Segunda Guerra, mas que, durante a noite, acompanhavam com muito interesse os destinos da Itália durante o conflito. Essa história, disse Talese, ensinou-o que há sempre mais por trás do que as pessoas falam. Para ele, isso justificaria seu processo de manufatura de matérias, mundialmente famoso, que consiste em uma imersão radical no assunto a ser tratado.

Isso, por sinal, rendeu o melhor momento da pelstra. Conti, em mais uma longa pergunta, questionou Talese sobre a obra que ele está escrevendo, sobre sua vida com sua esposa, na qual aborda 50 anos de casamento, devidamente registrados em cartas guardadas desde sempre. Conti questionou a visão que o público teria dele e de sua esposa, pois há histórias de traição de ambos os lados, sendo que Talese frequentou, inclusive, casas de massagem e orgias para escrever seu famoso livro “A mulher do vizinho”, um retrato da vida sexual norte-americana na década de 1970.

Talese ficou visivelmente desconcertado. Ele, que destilou com extrema segurança uma metralhadora de palavras, tornou-se errante, hesitante, medindo meticulosamente cada frase. No final, fez a defesa desse seu método de imersão, dizendo, inclusive, que uma pessoa pode efetivamente se cansar de fazer orgias, como uma maneira não só de aliviar o peso de suas ações, mas de aliviar o peso que elas tinham para sua mulher.

Para um homem que durante toda a palestra fez questão de ressaltar suas raízes cristãs, foi interessante ver Talese se enrolando todo para justificar seu passeio com o diabo.

 

6- ANTONIO LOBO ANTUNES

Quando o mediador Humberto Wernek começou a palestra com uma longa e muito veneradora fala, pensei comigo: isso não vai bem. Quando, após a chatíssima introdução, Lobo Antunes começou, a pedidos de Wernek, a divagar sobre suas origens familiares, que remontam a um avó nascido no Brasil, aí pensei: putz, lá se vai pelo ralo a oportunidade de ver o que dizem ser um grande escritor indo pelo ralo. Besteira. No final, estavam todos maravilhados, inclusive a imensa massa -na qual me incluo- de pessoas que nunca leram uma palavra escrita por Lobo Antunes.

Reconhecidamente um autor hermético, Lobo Antunes apresentou-se um homem de fala mansa, controlada, destilando grandes gotas de inteligência e ironia, um exímio contador de histórias, admirador de obscuros poetas brasileiros do século XIX.

Fez troça de seu alvorecer literário, quando, na tenra idade, seu avó millitar o chamou e perguntou: “Ouvi falar que fazes versos. Mas você é veado”? Daí em diante, Lobo Antunes empilhou uma grande frase atrás da outra, uma grande observação atrás da outra.

Falou sobre o fazer literário, discorreu -sem nenhuma modéstia- sobre as ambições que deve ter qualquer escritor, contou o problemático início de carreira, quando não encontrava ninguém disposto a publicá-lo. Esses foram, resumidamente, os pontos-chave de sua palestra. Mas que domínio da palavra!

O público percebeu que ali não estava um simples homem. Foi aplaudido de pé por uma legião de novos fâs, que logo correram à livraria para comprar uma obra sua. Apenas alguns sortudos, no entanto, conseguiram seu autógrafo. Eu sou um deles. Agora só me resta lê-lo. Hehehe.

 

No balanço final, a Flip foi muita boa. Em comparação com a edição anterior que eu fui, em 2007, houve, a meu ver, um excesso de gente menos interessada em literatura, e mais interessada no alcance midiático do evento. Não sei se esse é um caminho muito seguro pelo qual deva ir a Flip. Não defendo com isso um elitização do evento, mas sim a preservação deste, para que fique mais no literário e menos no festival. Até porque, Paraty é uma cidade linda, fantasticamente aconchegante, mas não sei até que ponto ela aguenta uma invasão de tal proporção nas suas terrivelmente desconfortáveis e charmosas ruas de pedras.