João Moreira Salles, o documentarista da dinastia cinematográfica “Moreira Salles”, começou esse filme treze anos atrás. Parou porque ficou insatisfeito com o resultado, mas retomou, em 2003, o que tinha filmado. Mais do que um documentário sobre um extraordinário personagem, é um filme sobre a memória.
Santiago Bandariotti, argentino, foi mordomo da família Moreira Salles por trinta anos. Extremamente culto, destila rezas em latim, trechos de óperas, referências nas artes plásticas. E 30 mil páginas com a história de centenas de famílias aristocráticas de todo o mundo -justo ele que serviu uma das mais aristocráticas famílias brasileiras.
Interessante também é a forma crítica com que João comenta o que filmou. Ele mesmo chama a atenção para a forma ditatorial com que guiava as entrevistas. Ditatorial não -patronal. Sim, pois ainda que Santiago chame-o de Joãozinho, a Moreira Salles só interessava extrair esse ou aquele depoimento, dessa ou daquela maneira. É muito interessante a repetição de cenas, com o mesmo depoimento, até que tudo fique nos conformes de um jovem e inexperiente documentarista. Aí o filme também é uma metalinguagem sobre como fazer ou filme. Ou como não fazer.
Santiago retomando histórias da família Salles, escrevendo histórias da aristocracia; Moreira Salles retomando Santiago, filmando o fazer cinematográfico. A memória sai como o grande tema do filme, que fica marcado em nosso relembramento no elegante branco e preto em que foi feito.
Assista. Está passando no Espaço Unibanco. Unibanco, por sinal, dos Moreira Salles.

Dezembro 10, 2007 às 7:00 pm |
II – este é o primeiro passo para nosso livro! uma lágrima para frederico kling.
Dezembro 11, 2007 às 3:30 am |
Aeeeee!!!! Welcome to blogosfera…. Hehehe. Será que você vai manter esse blog, kling? Pode tratar de colocar meu link aí…. hahahahaha
Dezembro 12, 2007 às 12:47 am |
Filho, que orgulho!
Se vc quiser informações de qto os Moreira Salles ganham com o império cinematográfico, ou com o império siderúrgico e bancário, eu sou a pessoa!
beijocas
Setembro 14, 2009 às 8:46 pm |
[...] tempos de ditadura da realidade, um recurso ainda pouco usado, mas visto com maestria em filme de João Moreira Salles e na literatura de José Eduardo Agualusa. Mais ainda, com esse processo, Coutinho parece dizer [...]